quinta-feira, 24 de março de 2016

Efeitos colaterais


Aqui em Marseille, o clima é de alerta. Principalmente para os órgãos de Segurança Pública. Nas ruas, apesar de a população continuar a rotina normal, é comum encontrar militares em patrulha. Os grupos de 10 a 20 homens, caminham pelas principais vias da cidade, armados e conversando entre si por meio de sinais, fazendo posições táticas e paradas em locais estratégicos. Nos pontos de ônibus, metrôs e trens de superfície, gravações de áudio em francês e inglês repetem constantemente que todos podem ajudar no combate ao terrorismo e qualquer situação suspeita, deve ser denunciada. 


Só que nada disso é novidade por aqui.

Um mês e meio atrás, quando cheguei à Europa, já percebi a presença dos militares. Às vezes nas ruas, pontos turísticos e até em grandes igrejas. Assim como os alertas de segurança e os pedidos por denúncias da população.

Um dia antes dos ataques em Bruxelas, nessa semana, estive na maior estação de trem de Marseille, Saint Charles, que leva passageiros a outras regiões da França e a outros países da Europa. Militares armados estavam posicionados na entrada principal.

Um coisa que sempre digo, e disse nesse dia, sem nem imaginar o que aconteceria na Bélgica no dia 22 de março, foi: Não é a simples presença deles que me assusta, é a informação que os trouxe até aqui. O que será que eles sabem e a gente não? Esse trabalho é organizado a partir de informações, de investigação, de inteligência.  E um dia depois de dizer tudo isso, os ataques.

Com tudo que aconteceu, as questões de segurança também tomaram espaço nas discussões políticas na França. Depois dos atentados de Bruxelas, o primeiro ministro francês, Manuel Valls, voltou a reforçar a importância de intensificar o controle dos passageiros que utilizam os aeroportos do país, com a criação de um grande banco de dados. O projeto já foi discutido outras vezes, mas negado pela oposição sob o argumento de que poderia prejudicar a segurança dos dados pessoais dos passageiros. Com os ataques, a discussão foi retomada, e o projeto será votado novamente no mês de abril.

(Bandeiras a meio mastro nos principais prédios da cidade)

E depois de reviver a tragédia dos ataques de Paris no ano passado, de ver mais gente perdendo a vida em atentados, quem está aqui nesse momento só deseja que a situação melhore. Que seja possível prevenir novos ataques e garantir a segurança de milhões de inocentes em solo europeu. 


4 comentários:

  1. Nossa ... Te cuida aí prima ... Ainda mais que antes da Bélgica a França que tinha sido o alvo ... Vai contando pra gente tudo 😘😘🙏🏼🙏🏼

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  2. Muito bom Manu...saber o que acontece por ai...escreve mais.... e te cuida.bjo

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